Oscar-jogadorO jogador Oscar, o maior de todos os tempos do basquetebol brasileiro, diante do retorno do câncer no cérebro, tomou a decisão de continuar trabalhando, entre as sessões de quimioterapia e radioterapia, de remédios e enjoos.

A família relutou em tornar pública a sua doença, para que ele não fosse tratado como um morto-vivo.

Ele fez um comentário que reflete o seu estilo:

– Estou fazendo o tratamento e espero que resolva. Se não resolver, paciência, minha vida foi muito boa.

A família não agiu de todo errada. Quem sobrevive a um câncer é visto como um ser nascido de novo. Falo de mim agora: durante algum tempo depois da minha cirurgia radical, para extração de um câncer, as pessoas me encontravam na rua –  sem disfarçar – me olhavam de alto a baixo, admiradas de eu estar vivo.

Ao mesmo tempo, é valioso que o assunto seja comentado, sem rodeios, para que as pessoas sejam bem informadas. Tratar deste assunto faz muita gente torcer o nariz. (De uma vez que comentei aqui o tema, uma pessoa me pediu que cancelasse os envios desta reflexão, porque na casa dela o câncer não entra.) A informação pode salvar vidas.

A avaliação de Oscar sobre a sua trajetória (“minha vida foi muito boa”) nos convida a refletir sobre a nossa.

Tem sido boa a nossa vida? Se não tem sido, o que podemos fazer para que seja? Ainda há tempo.

Temos avaliado bem a nossa vida, realisticamente, ou temos nos concentrado, pessimisticamente, na dificuldade, como se ela predominasse?

Um calo no pé é um calo no pé, não o pé e nem o corpo todo, assim como um ponto sujo numa página não é toda a página. Uma vírgula fora de lugar não torna analfabeto o seu autor.

Se a nossa vida tem sido boa, pode ser melhor e será melhor se nos esforçarmos para tornar melhores as vidas dos outros também.

[por Israel Belo de Azevedo, publicado em http://www.blogmundocristao.com.br/index.php/minha-vida-foi-muito-boa ]

 

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