campo“[Leon Tolstoi] nos conta acerca de um homem que, desejoso por ampliar suas posses, viaja até uma região onde se dizia que grandes porções de terra podiam ser compradas por uma pequena quantia de dinheiro. Na verdade, por uma quantia comum a todos os compradores podia se ter a quantidade de terra que se conseguisse percorrer entre o nascer e o pôr-do-sol no mesmo dia. No entanto, antes do pôr-do-sol se fazia necessário que o comprador voltasse ao ponto de partida.

Então, tomado pela ganância, o comprador do relato de Tolstoi foi sendo levado para regiões cada vez mais distantes. Quando seus olhos avistavam um lago, ele queria incluí-lo em sua propriedade. Quando enxergava um bosque, não conseguia deixar de desejá-lo como parte de suas posses. Assim, suas energias foram se esvaindo na busca por ter, ter, e ter. Quando tomou consciência de que o sol começava a se pôr, tentou desesperadamente correr até o ponto de partida. Completamente esgotado, caiu a poucos metros daqueles que o esperavam, mas para nunca mais levantar.

O homem, então, foi enterrado em um pedaço de terra de 2 metros de cumprimento por 80 centímetros de largura. Assim, Leon Tolstoi conclui: De quanta terra precisa um homem para viver? Para viver, nunca saberemos, mas para guardar seu corpo após sua morte, bem pouca.”

[Citado por AGRESTE, Ricardo. Revisão de vida: para viver e não se arrepender. SOCEP Editora, 2008, p.29-30]

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