“Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.” [Mateus 6.12]

Marghanita Laski, famosa romancista e crítica inglesa do século 20, jamais escondeu o seu ateísmo. Um dia, no entanto, na televisão, num momento surpreendente de sinceridade, ela deixou escapar: “O que eu mais invejo nos cristãos é o perdão que receberam; não tenho ninguém para me perdoar”. Ela estava certa. O perdão está no cerne do evangelho. Na verdade, ele é indispensável para a vida e a saúde da alma, assim como o alimento o é para o corpo.

Desse modo, a petição seguinte, na oração do Pai Nosso, é “perdoa as nossas dívidas”. O pecado se assemelha a uma dívida porque merece ser punido e porque, quando Deus nos perdoa, ele perdoa a dívida e retira a acusação contra nós.

A adição das palavras “assim como perdoamos aos nossos devedores” é enfatizada mais adiante nos versículos 14 e 15, que seguem a oração e declaram que nosso Pai nos perdoará se perdoarmos aos outros, mas que não nos perdoará se nos recusarmos a perdoar aos outros. Isso certamente não quer dizer que nosso perdão aos outros nos dará o direito de sermos perdoados, mas que Deus perdoa somente ao arrependido e que uma das principais evidências do verdadeiro arrependimento é o espírito perdoador. Uma vez que nossos olhos tenham sido abertos para ver o tamanho enorme de nossa ofensa contra Deus, as injúrias que outros possam ter cometido contra nós parecem extremamente insignificantes.

Se, por outro lado, temos uma visão exagerada das ofensas dos outros, isso mostra que temos minimizado as nossas. É a disparidade entre o tamanho das dívidas que é o ponto principal da parábola do servo impiedoso. Sua conclusão é: “Cancelei toda a sua dívida [que era enorme]… Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo [cuja dívida era insignificante] como eu tive de você?” (18.32-33).

Leitura recomendada: Mateus 18.23-35

Retirado de A Bíblia Toda, O Ano Todo (Editora Ultimato, 2007)

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