APARENTEMENTE, os ratos do ressentimento e da vingança estão sempre ali no porão da minha alma. Porém, esse porão está fora do alcance da minha vontade consciente. Posso controlar os meus atos até certo ponto, mas não tenho controle direto sobre o meu temperamento. E se (como eu disse anteriormente) o que somos importa muito mais do que o que fazemos – se, de fato, o que fazemos funciona principalmente como uma evidência do que somos –, então a mudança pela qual eu preciso passar é uma mudança que os meus próprios esforços diretos e voluntários não são capazes de fazer. E isso também se aplica às minhas boas ações. Quantas delas foram realizadas pelo motivo certo? Quantas foram por medo da opinião pública ou pelo desejo de se mostrar? Quantas foram por algum tipo de obstinação ou senso de superioridade que, em outras circunstâncias, poderiam igualmente ter levado a algum ato maligno? O fato é que eu não posso, por nenhum esforço moral, fornecer novos motivos a mim mesmo. Depois dos primeiros passos da vida cristã, acabamos percebendo que tudo o que realmente precisa ser feito nas nossas almas só pode mesmo ser realizado por Deus.

– de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

Retirado de Um Ano Com C. S. Lewis (Editora Ultimato, 2005)

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