“(…) A decisão de não mais correr riscos é a decisão de não amar de novo. Elas andam juntas.

Por que quem mais amamos é a pessoa capaz de nos causar maior dor? Raras vezes, as maiores feridas nos são infligidas por estranhos. O mais provável é que venha de um ex-noivo, um velho amigo, um colega de quarto, uma irmã, um sócio.

Mesmo nos relacionamentos saudáveis, um comentário precipitado ou um rolar de olhos pode nos enfraquecer por dias, anos ou mesmo pela vida inteira. Isso porque quanto mais nos abrimos, mais vulneráveis nos tornamos. Quanto mais nos expomos, mais machuca. Quanto mais deixamos alguém entrar, maior o risco. Surpresa, raiva, dissabores, traição, sentimento de impotência – tudo se mistura.

Ouvi uma expressão usada para explicar como Deus ama todos igualmente. Ela diz que ´o terreno ao pé da cruz é plano´. A ideia é que Deus não tem favoritos: não importa de onde você vem, o que fez, com quem esteve e quão feio errou. A cruz é o lugar em que Deus olha para além de tudo isso e perdoa, aceita, apaga o livro de registros para deixá-lo em branco.

Um conceito lindo, realmente.

Portanto, a declaração funciona como uma verdade sobre o poder de Deus. O poder para libertar, purificar, perdoar e conceder vida nova, esperança nova, misericórdia nova. O poder que ele tem para resgatar algo que parece irrecuperável. Mas a expressão também pode ser vista sob uma luz muito diferente.

O terreno ao pé da cruz é plano para Deus também.

Em se tratando de amor, é como se Deus concordasse em jogar pelas mesmas regras que nós. Ele pode tudo – é o que faz ser Deus. Mas ele não pode tudo. Deus não pode obrigar a amá-lo – a escolha é nossa.

Amar é correr riscos também para Deus.”

BELL, Rob. Deus e sexo: uma conexão entre sexualidade e espiritualidade; Ed.Vida, pp.114-115.

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