“Guimarães Rosa dizia que a coisa não está nem na partida, nem na chegada, mas na travessia.”

“A vida, para ser, leva tempo, demanda paciência,  exige cuidados, há que se esperar. Mas a morte vem súbita e definitiva. Uma árvore leva anos a crescer. O machado a abate em poucos minutos.”

“Jorge Luís Borges estava certo: a gente vai andando, solidamente, e de repente vê um pôr de sol, e está perdido de novo.”

“Somente os infelizes buscam coisas novas. Felicidade é, sempre, recuperar aquilo que se perdeu.”

“Amor é isto: a  dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. E neste  espaço o amor só sobrevive graças a algo que se chama fidelidade: a espera do regresso. De alguma forma a gota de chuva aparecerá de novo, mar afora. Morte e ressurreição. Na dialética do amor, a própria dialética do divino. Quem não pode suportar a dor da separação não está preparado para o amor. Porque amor é algo que não se tem nunca. É evento de graça. Aparece quando quer, e só nos resta ficar à espera. E quando ele volta, a alegria volta com ele. E sentimos então que valeu a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro.”

(ALVES, Rubem. Tempus Fugit. Paulus, São Paulo, 2008)

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